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Metodologia em cascata: o que é esse modelo de gestão?

Metodologia em cascata

Quando o assunto é gerenciamento de projetos, saber qual metodologia utilizar é vital. Ao compreender plenamente os diferentes modelos, você pode escolher aquele que melhor reduz custos, minimiza erros e maximiza a eficiência no seu negócio.

Criado em 1970 pelo cientista da computação Winston W. Royce, o modelo em cascata foi inicialmente utilizado para desenvolvimento de programas, mas, hoje em dia, foi adaptado para uso em várias indústrias importantes, desde a construção civil até a a tecnologia da informação.

Nesse artigo, vamos apresentar essa metodologia, explicar suas principais utilidades, benefícios e desvantagens, comparando-a a outros modelos importantes de gestão de projetos.


O que é a metodologia em cascata?

O método envolve dividir cada parte do projeto em partes claramente definidas e sequenciais. A palavra “cascata” ilustra a forma como a água flui em uma só direção numa cachoeira, assim como só se pode completar cada estágio de um projeto em certa ordem, sem voltar aos passos anteriores.

Imagine uma série de lagos separados por cachoeiras. Cada lago representa um estágio na linha do tempo do projeto, do planejamento estratégico ao desenvolvimento e ao lançamento. A água não pode alcançar o próximo lago a menos que o anterior esteja cheio o suficiente para transbordar. Quando utiliza o método de cascata, você só pode seguir para o próximo estágio após completar 100% do anterior.

Eis os três princípios básicos do método:

  • Estrutura estrita e direcionada, com requisitos fixos. Divida o projeto em estágios que você só pode completar em uma ordem. Também não se pode retornar ao passo anterior caso algo inesperado aconteça. Em vez disso, caso algo dê errado, é preciso voltar à estaca zero e começar novamente.

  • Pouco ou nenhum envolvimento dos acionistas após o primeiro estágio. A estrutura da metodologia em cascata exige que se documentem todas as interações com os acionistas na primeira fase do projeto. Feito isso, já não há mais espaço para implementar mudanças e a comunicação cessa.

  • Documentação detalhada e prévia de todo o processo. Para resolver algumas das limitações do método em cascata, documentar tudo é extremamente importante. Você não terá feedback dos clientes durante o processo, então é importante estar ciente de todos os requisitos essenciais antes de começar a trabalhar.

Atualmente, essa abordagem é muito popular no setor de construção civil, no qual é necessária uma ordem estrita das atividades. Cada estágio concluído é geralmente irreversível. Por exemplo, não há como desfazer uma laje. Da mesma forma, não é possível levantar as paredes se a fundação não estiver pronta.

O método tem sido adaptado para projetos em geral. Sua aplicação mais conhecida é o uso no desenvolvimento de software para criar produtos como gestores de relacionamento com o consumidor (CRM) e outras ferramentas de gestão similares.

Os benefícios e desvantagens da metodologia em cascata

O modelo funciona melhor em casos específicos. Por conta disso, ele tem muitas vantagens e desvantagens que podem auxiliar ou complicar seu projeto.

Os benefícios incluem:

  • Orçamento e prazo fixos. Todos os objetivos e requisitos do projeto são definidos antes de começar. Há pouco ou nenhum espaço para feedback ou colaboração; o projeto simplesmente flui de estágio a estágio até o fim, o que significa que dificilmente o prazo ou o orçamento vão mudar.

  • Um planejamento extenso que facilita a implementação. Uma vez que você colocou muito esforço em documentar e planejar seu projeto no início, seu tempo e dinheiro serão utilizados da forma mais otimizada possível, impedindo que esses recursos sejam desperdiçados durante todo o andamento do trabalho.

  • Fluxo linear e fácil de acompanhar. Dada a rigidez do método, cada fase apresenta resultados claros e predefinidos, o que facilita a gestão.

  • Estrutura simples e duplicável. O modelo em cascata é simples de entender, especialmente quando comparado a outros métodos de gestão mais complexos. Isso quer dizer que, se você fizer projetos similares ao atual no futuro, pode reutilizar parte do processo de desenvolvimento, economizando tempo e recursos.

  • Várias aplicações possíveis. O ciclo de vida da demanda, por exemplo, pode ser abordado por meio da metodologia em cascata, considerando princípios como consistência e documentação prévia, e pensando no funil de vendas como uma ordem de mão única: gestão de leads, qualificação de mercado, qualificação de vendas e fechamento de negócio.

Há também várias desvantagens no uso dessa tecnologia:

  • Alto risco e incerteza. Como todo o projeto é definido previamente (e não há como voltar atrás), há um certo nível de risco na metodologia em cascata. Por exemplo, se a fase de incorporação foi feita de forma incompleta ou apressada, os acionistas podem não ficar felizes com o produto final, resultando em desperdício de tempo e esforço.

  • Rígido demais para projetos contínuos ou muito complexos. O método não acomoda bem os projetos cujos objetivos tenham uma chance real de mudar durante o processo.

  • Controle de qualidade tardio. Muitas metodologias de gestão incluem processos de avaliação em tempo real ao longo de todo o desenvolvimento do produto. Infelizmente, esse não é o caso aqui, o que faz com que um erro nos estágios iniciais cause problemas reais mais tarde.

  • Clientes e acionistas geralmente não sabem ao certo o que querem. Muitos consumidores e acionistas percebem, no meio do processo de desenvolvimento, que precisam que o produto tenha mais funcionalidades. Na metodologia em cascata, não há espaço para essa possibilidade, o que dificulta acomodar pedidos e alterações após o primeiro estágio.

Benefícios

Desvantagens

Orçamento e prazos fixos

Alto risco e incerteza

Planejamento extenso, implementação simples

Rígido demais para projetos contínuos ou muito complexos

Projeto estruturado e fácil de acompanhar

Controle de qualidade tardio

Estrutura simples e duplicável

Clientes e acionistas geralmente não sabem o que querem

Várias aplicações possíveis


Como utilizar a metodologia em cascata

Esse método de gestão funciona muito bem para alguns projetos, mas não é uma solução universal que funcione em qualquer lugar. Abaixo, listamos seus usos mais apropriados:

  • Projetos simples e bem definidos. Use esse método de gestão em projetos pequenos e simples, que podem ser definidos com antecedência. Para demandas mais vagas e elusivas, outro tipo de técnica pode ser uma opção mais adequada.

  • Demandas que não mudam. Caso seu projeto possa sofrer alterações ao longo do caminho, é melhor usar uma gestão mais simples. Guarde a metodologia em cascata para situações nas quais o excesso de rigidez será um ponto forte, não um problema.

  • Tempo de planejamento disponível. Trabalhar com a metodologia em cascata requer um investimento inicial de tempo para planejamento antes de iniciar as etapas de desenvolvimento. Caso não tenha tempo para investir no início, use um modelo diferente.

Caso seu projeto apresente todas as três características acima, o modelo em cascata provavelmente será uma boa escolha. Do contrário, talvez seja bom seguir com um modelo de gestão mais flexível, como a metodologia Agile. Falaremos mais sobre isso abaixo.

Os cinco estágios da metodologia em cascata

Aqui, vamos trabalhar com cinco fases distintas: demandas, design, implementação, verificação e manutenção. Veja cada uma delas em detalhes abaixo.

1. Demandas

É nesse momento que a equipe planeja meticulosamente todo o projeto, do início ao fim. Durante essa fase, a equipe estará em contato com o cliente para coletar todas as informações necessárias e produzir o produto final, sem precisar consultá-lo novamente. A fase de requerimento é a mais importante da metodologia em cascata; é a base de todo o projeto. Caso perca alguma informação pertinente ou não documente, em detalhes suficientes, as demandas do cliente ou do acionista, você terá uma grande dor de cabeça quando descobrir que o produto final não ficou como ele queria.

Durante essa fase, deve-se determinar o seguinte:

  • Escopo e linha do tempo. Crie um documento que descreva os objetivos do projeto, desde as demandas funcionais até os prazos, custos associados e itens a serem entregues em cada fase.

  • Expectativas dos acionistas. É preciso compreender exatamente o que o cliente quer. Desde as funcionalidades até a linha do tempo, é importante que o cliente esteja 100% alinhado com o projeto desde o início, pois basicamente não haverá oportunidades para mudanças depois do primeiro estágio.

  • Situação do mercado. A pesquisa de mercado é vital para qualquer ciclo de desenvolvimento. Dependendo do produto, é crucial conhecer os competidores, o ambiente e as necessidades do consumidor para desenvolver algo competitivo.

2. Design

É hora de avaliar as informações reunidas na etapa anterior e desenvolver um plano detalhado. Nesse estágio, você define o projeto geral, incluindo o design do produto.

A fase de design é dividida em dois momentos:

  • Alto design. Também conhecido como design lógico, é aqui que a equipe gera ideias para o processo de desenvolvimento. Durante esse momento, são desenvolvidos planos teóricos para transformar o produto final em realidade.

  • Baixo design. Conhecido como design físico, esse é o momento em que as ideias se transformam em um plano concreto, decidindo quais ferramentas e técnicas serão necessárias para desenvolver o produto. Na engenharia de software, por exemplo, especificam-se as ferramentas, o hardware e a arquitetura do projeto.

Após uma fase de design bem-sucedida, você deve ter uma ideia clara de como será o produto final e dos passos que o levarão até lá.

3. Implementação

É aqui que começa a diversão. Na fase de implementação, tudo o que foi planejado passa a entrar em ação. Sua equipe usará o fluxo de trabalho documentado para iniciar a produção do produto final. Visto que a maioria do trabalho ocorre no início do projeto, esse pode ser um dos estágios mais curtos do processo.

Para começar a fase de implementação:

  • Defina as tarefas dos membros da equipe. Com o planejamento todo feito, resta delegar as tarefas à equipe. É uma boa ideia utilizar um software de gestão de projetos como um CRM ou gráficos de Gantt.

  • Monitore o progresso. Agora que tudo está em movimento, seu trabalho como gestor de projeto é garantir que continue evoluindo. Também é preciso monitorar os recursos e alocar os recursos para evitar possíveis gargalos.

  • Mantenha os acionistas informados. Embora a metodologia em cascata limite a interação após a primeira fase, você ainda precisa relatar seu progresso de tempos em tempos, sobretudo em projetos longos e complexos. Saber que tudo está indo bem tranquiliza o cliente.

4. Verificação

Até o fim do estágio anterior, você já deve ter um produto praticamente completo, pois, a partir desse ponto, uma fase de testes rigorosos começa. Esse é provavelmente o momento mais inquietante, pois, caso algum problema significativo seja descoberto, isso pode indicar que tudo irá voltar à estaca zero.

Durante a fase de verificação, você precisa garantir que tudo esteja funcionando corretamente e os requerimentos do cliente sejam atendidos nos mais altos padrões. O produto também precisa ser rigorosamente testado antes de chegar às mãos do cliente.

Caso tudo pareça ter dado certo, é hora de mostrar seu trabalho.

5. Manutenção

Essa fase ocorre após a entrega do produto final ao consumidor. Porém, ela varia significativamente conforme a natureza do produto e o que foi acordado com o cliente.

Em alguns casos, a manutenção pode durar até que o cliente fique satisfeito com o produto. Em outros, caso você tenha lançado o produto final no mercado, a manutenção pode continuar indefinidamente.

As principais atividades desta etapa incluem:

  • Resolução de problemas, bugs e glitches que passaram pela fase de verificação

  • Atualizações que tornam o produto melhor de alguma forma ou melhoram seu desempenho

Mesmo os controles de qualidade mais rigorosos podem acabar por deixar algo escapar. Certos problemas só são notados quando o produto é utilizado no dia a dia. É por isso que a fase de manutenção depende muito do feedback do consumidor.


Como a metodologia em cascata se compara a outros métodos populares de gestão?

A metodologia em cascata é apenas um dos muitos modelos disponíveis e não atende a todos os tipos de projetos. Veja como ela se compara com outros três métodos populares: Agile, Kanban e Scrum.

Cascata vs Agile

A metodologia Agile é uma abordagem flexível e interativa para a gestão de projetos. Ao contrário do método em cascata, seu foco é entregas fracionadas e rápidas, com alto nível de envolvimento do consumidor.

Ele divide um projeto em várias partes menores, nas quais as equipes de desenvolvimento trabalham simultaneamente. As equipes geralmente fazem seu trabalho em um curto período, de uma ou duas semanas.

Durante essas semanas, a equipe e o cliente colaboram para definir quais necessidades devem ser atendidas, aproximando-se do produto final. Ao fim de cada incremento, o trabalho é avaliado pela equipe de projetos e pelo cliente. Nesse momento, os próximos passos são definidos.

A principal diferença entre os métodos Agile e Cascata incluem:

  • O Agile é flexível e adaptável, enquanto a cascata é rígida e bem organizada

  • O Agile é interativo e melhora a cada ciclo. Cascata é linear, progredindo sempre na mesma direção durante todas as fases do projeto

  • O Agile é dividido em incrementos e planejamento, e tem implementação e verificação em cada estágio. Cascata conta com planejamento prévio. A implementação e verificação acontecem com bem menos frequência

  • O Agile foi criado para permitir que as equipes se adaptem às mudanças. Cascata é um método feito para gerar resultados previsíveis e confiáveis utilizando um processo predefinido

Cascata vs. Kanban

A abordagem de gestão Kanban utiliza princípios do Agile, mas os aplica de forma diferente para melhorar a produtividade. As equipes visualizam as tarefas utilizando um quadro Kanban, no qual cada atividade recebe um cartão que se move de coluna a coluna até a tarefa ser completada.

Por exemplo, uma tarefa pode se mover pelas colunas “delegado”, “em progresso”, “testando” e, por fim, “completo”.

Assim como o Agile, o método Kanban é mais adequado para projetos em que a metodologia em cascata não atende bem. Por exemplo:

  • O Kanban foca em melhorar continuamente o produto, enquanto o cascata foi feito para criar um produto claro e bem definido, sem adicionar melhorias

  • O Kanban permite ajustes no meio do produto, ao contrário do cascata

  • O Kanban geralmente envolve mudanças de escopo causadas por pedidos e opiniões dos acionistas, o que é mitigado pelo método em cascata, que define o produto antes de começar o trabalho

  • Sem linhas do tempo específicas, projetos que utilizam o Kanban podem demorar mais do que aqueles feitos na metodologia em cascata

Cascata vs. Scrum

A metodologia Scrum também é baseada no Agile. Embora o Kanban foque em melhorar continuamente os processos, o propósito do Scrum é agilizar o trabalho.

O Scrum divide os incrementos em tarefas a serem executadas em períodos de duas semanas. Então, as equipes executam as tarefas individuais e avaliam o progresso ao fim desse período. Todos os dias, as equipes realizam uma reunião Scrum na qual discutem brevemente os obstáculos enfrentados e os planos para manter o projeto em movimento.

Essa abordagem requer que os membros da equipe assumam papéis decisivos. O Scrum Master facilita as ações da equipe (sem gerenciá-la), movendo o projeto adiante e superando obstáculos. O Product Owner (ou dono do produto) comunica as expectativas do cliente à equipe de desenvolvimento. Finalmente, a Equipe de Desenvolvimento é responsável por criar e testar o produto.

Confira a diferença entre os dois métodos:

  • O Scrum requer certa familiaridade para ser executado. Sua equipe precisa entender a metodologia, a terminologia e os papéis principais. Já o cascata é incrivelmente simples de entender e implementar

  • O Scrum não tem data final para a conclusão do produto, e o escopo pode variar. Nenhuma dessas coisas acontece no método em cascata, que é previamente e cuidadosamente planejado

O Scrum pode acomodar mudanças ao longo de cada sprint. Já a metodologia em cascata é inflexível e não consegue corrigir o curso enquanto o projeto avança


Considerações finais

Decidir a metodologia correta para um projeto é um dos passos mais importantes para se alcançar o sucesso.

Não se esqueça de que, embora seja geralmente recomendável seguir os princípios de cada método, você pode fazer adaptações que atendam às suas necessidades.

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